Gestão escolar

Como estruturar os itinerários formativos na escola

Para estruturar itinerários formativos na escola, a gestão precisa articular quatro dimensões: as exigências legais do Ensino Médio, os interesses dos estudantes, a proposta pedagógica da instituição e a capacidade real de implementação.  Isso envolve definir áreas de aprofundamento, organizar a carga horária, selecionar competências e habilidades, formar professores e estabelecer formas de avaliação. Além […]

Diretor de escola

Para estruturar itinerários formativos na escola, a gestão precisa articular quatro dimensões: as exigências legais do Ensino Médio, os interesses dos estudantes, a proposta pedagógica da instituição e a capacidade real de implementação. 

Isso envolve definir áreas de aprofundamento, organizar a carga horária, selecionar competências e habilidades, formar professores e estabelecer formas de avaliação.

Além de incluir novas disciplinas na grade, os itinerários formativos devem criar percursos coerentes, progressivos e interdisciplinares. Neles, o estudante tem a oportunidade de aprofundar conhecimentos, investigar problemas, desenvolver projetos e relacionar sua formação escolar aos próprios interesses, ao território e ao mundo do trabalho.

Essa organização representa um desafio importante para diretores e mantenedores. Afinal, é necessário garantir diversidade de escolha sem tornar a operação inviável, preservar a qualidade acadêmica e manter o currículo alinhado à legislação.

Neste conteúdo escrito por um especialista do sistema de ensino Amplia, você entenderá o que são itinerários formativos, o que mudou nas regras do Ensino Médio e como planejar, implementar e avaliar esses percursos na prática.

O que são itinerários formativos?

Os itinerários formativos são percursos curriculares que permitem aos estudantes do Ensino Médio aprofundar suas aprendizagens em uma ou mais áreas do conhecimento ou seguir uma trajetória de formação técnica e profissional.

Eles integram o currículo do Ensino Médio juntamente com a Formação Geral Básica, a FGB.

A Formação Geral Básica contempla as aprendizagens essenciais da BNCC e os componentes curriculares relacionados a:

  • Linguagens e suas Tecnologias;
  • Matemática e suas Tecnologias;
  • Ciências da Natureza e suas Tecnologias;
  • Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

Já os itinerários formativos ampliam e aprofundam essas aprendizagens por meio de projetos, investigações, oficinas, práticas interdisciplinares e outras situações pedagógicas.

De acordo com a Política Nacional de Ensino Médio, a organização regular da etapa deve compreender, no mínimo, 3 mil horas: 2.400 destinadas à Formação Geral Básica e 600 aos itinerários formativos. A formação técnica e profissional apresenta especificidades próprias de carga horária. 

A Lei nº 14.945/2024 e as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio também determinam a oferta de pelo menos dois itinerários com ênfases distintas, ressalvadas as especificidades previstas para a formação técnica e profissional.

Para os gestores, isso significa que o planejamento não pode se limitar à criação de uma única opção padronizada para todos os alunos. A escola precisa garantir escolhas reais, pedagogicamente consistentes e operacionalmente viáveis.

O que são os Itinerários Formativos de Aprofundamento?

Os Itinerários Formativos de Aprofundamento, também chamados de IFAs, são percursos com carga horária mínima de 600 horas que aprofundam as aprendizagens em uma ou mais das quatro áreas do conhecimento.

A Resolução CNE/CEB nº 4, de 12 de maio de 2025, instituiu os Parâmetros Nacionais para a Oferta dos Itinerários Formativos de Aprofundamento. Esses parâmetros buscam aumentar a consistência dos percursos e assegurar direitos de aprendizagem comuns aos estudantes. 

Na prática, um IFA deve:

  • ampliar e aprofundar aprendizagens da Formação Geral Básica;
  • apresentar progressão entre os diferentes momentos do percurso;
  • desenvolver competências e habilidades definidas para as áreas escolhidas;
  • relacionar teoria e prática;
  • promover interdisciplinaridade;
  • dialogar com os interesses e os projetos de vida dos estudantes;
  • considerar características locais, regionais e nacionais;
  • utilizar problemas, projetos e investigações como estratégias de aprendizagem.

Portanto, uma disciplina isolada ou uma sequência de eletivas sem conexão não constitui, por si só, um itinerário formativo. É necessário haver unidade, intencionalidade, aprofundamento e progressão.

Quais são os eixos estruturantes dos itinerários formativos?

A arquitetura dos Itinerários Formativos de Aprofundamento deve considerar quatro eixos estruturantes:

Método, Conhecimento e Ciência

Envolve investigação, elaboração de perguntas, levantamento de hipóteses, análise de fontes e produção de conhecimento.

Em um projeto sobre qualidade da água, por exemplo, os estudantes podem coletar amostras, interpretar indicadores, estudar os impactos do saneamento e produzir um relatório científico.

Mediação e Intervenção Sociocultural

Mobiliza conhecimentos para compreender conflitos, promover diálogo e propor intervenções relacionadas à realidade social e cultural.

Um percurso pode investigar a preservação da memória local e levar os alunos a produzir um acervo digital com relatos, documentos, mapas e registros audiovisuais da comunidade.

Inovação e Intervenção Tecnológica

Estimula o uso crítico e criativo da tecnologia para desenvolver soluções, processos ou protótipos.

Os estudantes podem criar um sistema de monitoramento do consumo de água da escola, elaborar um aplicativo, desenvolver modelos ou analisar dados públicos.

Mundo do Trabalho e Transformação Social

Relaciona as aprendizagens às mudanças no trabalho, às profissões, à economia, à cidadania e à transformação social.

Esse eixo vai além de preparar o aluno para escolher uma carreira. Ele ajuda a compreender as relações de trabalho, as mudanças tecnológicas, os desafios profissionais e as possibilidades de participação na sociedade.

Os eixos são complementares. Um bom itinerário pode articular ciência, intervenção social, tecnologia e mundo do trabalho em um mesmo percurso.

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Qual é a diferença entre itinerário formativo, eletiva e Projeto de Vida?

Essa distinção é essencial para evitar uma matriz curricular fragmentada.

Itinerário formativo é um percurso de aprofundamento com objetivos, competências, habilidades, carga horária e progressão definidos.

Eletiva é uma unidade curricular escolhida pelo estudante entre opções oferecidas pela escola. Ela pode fazer parte de um itinerário, mas não substitui o percurso completo.

Projeto de Vida é uma estratégia curricular que ajuda o estudante a refletir sobre identidade, valores, formação, participação social e futuro acadêmico ou profissional. Nas diretrizes atuais, deve estar articulado à Formação Geral Básica e aos itinerários, não necessariamente restrito a uma disciplina estanque.

Na prática, a escola pode desenvolver Projeto de Vida por meio de tutoria, orientação individual, atividades interdisciplinares, portfólios e momentos específicos no currículo.

Como estruturar os itinerários formativos na escola?

A seguir, apresentamos um passo a passo para transformar as exigências curriculares em uma proposta aplicável.

1. Estude a legislação nacional e as normas do sistema de ensino

O primeiro passo é analisar os documentos nacionais e as orientações do Conselho Estadual de Educação ao qual a escola está vinculada.

Entre as principais referências estão:

  • Lei nº 9.394/1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional;
  • Lei nº 14.945/2024;
  • Base Nacional Comum Curricular;
  • Resolução CNE/CEB nº 2/2024, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio;
  • Resolução CNE/CEB nº 4/2025, que institui os parâmetros nacionais dos IFAs;
  • currículo ou referencial do estado;
  • normas complementares do Conselho Estadual de Educação.

A mantenedora também deve verificar prazos de adequação, regras de transição, procedimentos de aprovação da matriz, registros no histórico escolar e exigências específicas para instituições privadas.

Esse diagnóstico evita que a escola desenvolva uma proposta pedagogicamente interessante, mas incompatível com as regras de seu sistema.

Veja também: Como escolher o melhor sistema de ensino! 

2. Retome a identidade e o projeto pedagógico da escola

O itinerário deve aprofundar a proposta pedagógica, não funcionar como um currículo paralelo.

Antes de decidir os temas, a gestão pode responder:

  • Qual é o perfil de estudante que queremos formar?
  • Quais princípios diferenciam nossa proposta?
  • Como os itinerários se relacionam com esses princípios?
  • Quais competências consideramos fundamentais?
  • Que experiências já realizadas podem ser ampliadas?
  • Como manteremos a excelência acadêmica?
  • De que maneira conectamos o percurso ao território?

Uma escola com forte atuação científica pode criar percursos que valorizem investigação, experimentação e análise de dados. Uma instituição voltada à formação cidadã pode articular Linguagens e Ciências Humanas em torno de comunicação, cultura, direitos e participação social.

Isso não significa limitar as escolhas dos estudantes ao posicionamento da escola. Significa utilizar sua identidade como ponto de partida para construir percursos coerentes e de qualidade.

3. Faça um diagnóstico da capacidade de oferta

Antes de divulgar as opções, a escola precisa avaliar se conseguirá sustentá-las ao longo de todo o percurso.

O diagnóstico deve incluir:

  • formação e disponibilidade dos professores;
  • número de turmas e estudantes;
  • carga horária disponível;
  • salas, laboratórios e espaços pedagógicos;
  • recursos tecnológicos;
  • materiais didáticos;
  • possibilidade de contratação;
  • horários e deslocamento dos alunos;
  • parcerias com universidades, empresas e instituições;
  • orçamento;
  • impacto financeiro de turmas com menor número de estudantes.

Um erro comum é prometer muitas opções e descobrir, durante a matrícula, que não há professores, horários ou quantidade mínima de alunos para executá-las.

Para o mantenedor, a pergunta central é: quais escolhas reais a escola consegue garantir com qualidade e sustentabilidade?

4. Escute os estudantes antes de definir a oferta

A escolha dos itinerários deve considerar os interesses e os projetos de vida dos estudantes. Contudo, uma única pesquisa com nomes de disciplinas costuma gerar respostas superficiais.

O diagnóstico pode combinar:

  • questionário de interesses;
  • oficinas sobre áreas do conhecimento;
  • atividades de Projeto de Vida;
  • apresentação de possibilidades;
  • rodas de conversa;
  • análise das dúvidas dos estudantes;
  • entrevistas com famílias;
  • levantamento de interesses acadêmicos e profissionais.

Em vez de perguntar apenas “qual área você prefere?”, apresente problemas e situações.

Por exemplo:

  • Você gostaria de investigar problemas ambientais e desenvolver soluções?
  • Tem interesse em compreender como as redes sociais influenciam decisões?
  • Gostaria de criar protótipos ou analisar dados?
  • Tem interesse em saúde, biotecnologia ou qualidade de vida?
  • Prefere produzir textos, vídeos e campanhas ou desenvolver experimentos?
  • Quer compreender melhor política, economia e transformações sociais?

As respostas fornecem informações mais úteis para o planejamento.

Exemplo para a gestão

Uma escola com 180 estudantes interessados no Ensino Médio identificou:

  • 65 interessados em saúde, ambiente e tecnologia;
  • 50 interessados em comunicação e comportamento;
  • 40 interessados em dados, economia e negócios;
  • 25 com interesses ainda indefinidos.

A escola pode transformar esses dados em dois ou três itinerários integrados, em vez de criar percursos excessivamente específicos que resultem em turmas pequenas e financeiramente inviáveis.

5. Defina as áreas e a identidade de cada itinerário

Com os dados do diagnóstico, a equipe deve escolher as áreas do conhecimento que serão aprofundadas e o foco de cada percurso.

O nome do itinerário precisa comunicar a experiência oferecida, e não apenas repetir o nome da área.

Compare:

  • “Itinerário de Ciências da Natureza”;
  • “Saúde, Ambiente e Inovação”.

O segundo título ajuda alunos e famílias a compreenderem melhor as possibilidades do percurso.

Entretanto, um bom nome não é suficiente. A escola deve documentar:

  • áreas do conhecimento envolvidas;
  • justificativa da oferta;
  • perfil do estudante;
  • competências e habilidades;
  • objetivos de aprendizagem;
  • eixos estruturantes;
  • unidades curriculares;
  • carga horária;
  • progressão;
  • produtos e projetos;
  • formas de avaliação;
  • recursos necessários.

6. Construa uma progressão de aprendizagem

As 600 horas não devem ser preenchidas com temas independentes. É preciso organizar uma sequência em que cada etapa prepare o estudante para desafios mais complexos.

Um desenho possível é:

Etapa de introdução

Os alunos conhecem o campo, analisam problemas, desenvolvem repertório e aprendem métodos básicos de investigação.

Etapa de aprofundamento

Os estudantes mobilizam conceitos das áreas, analisam dados, realizam experimentos e discutem diferentes perspectivas.

Etapa de aplicação

Os conhecimentos são utilizados para solucionar problemas, construir protótipos, produzir campanhas ou desenvolver intervenções.

Etapa de síntese

O aluno integra as aprendizagens em um projeto autoral, relatório, mostra, pesquisa ou produto final.

Essa progressão evita dois extremos: um itinerário excessivamente teórico ou um conjunto de atividades práticas sem aprofundamento conceitual.

7. Integre a Formação Geral Básica e os itinerários formativos

A FGB e os itinerários possuem funções diferentes, mas devem formar um currículo integrado.

Imagine que, em Biologia, os estudantes estudem ecologia e saúde. No itinerário “Saúde, Ambiente e Inovação”, eles podem aprofundar essas aprendizagens por meio de:

  • análise da qualidade da água;
  • interpretação de indicadores epidemiológicos;
  • estudo de problemas ambientais locais;
  • elaboração de hipóteses;
  • desenvolvimento de uma intervenção;
  • comunicação científica dos resultados.

O itinerário não repete a aula de Biologia. Ele utiliza e aprofunda conceitos em uma situação mais complexa e interdisciplinar.

Para isso, os professores da FGB e dos IFAs precisam planejar juntos. Sem esse diálogo, há risco de repetição de conteúdos ou criação de percursos desconectados.

8. Organize a matriz curricular e a operação

Depois de definir a proposta pedagógica, a equipe gestora precisa transformá-la em uma operação sustentável.

Algumas possibilidades são:

  • distribuir as horas dos itinerários ao longo das três séries;
  • concentrar o aprofundamento nas etapas finais, conforme a regulamentação aplicável;
  • organizar unidades semestrais;
  • reservar blocos maiores para laboratórios e projetos;
  • combinar momentos comuns com turmas de escolha;
  • criar projetos integradores entre áreas.

Exemplo simplificado

Uma escola pode organizar as 600 horas da seguinte forma:

  • 1ª série: 120 horas de introdução aos métodos de investigação e aos percursos;
  • 2ª série: 240 horas de aprofundamento;
  • 3ª série: 240 horas de aplicação e projeto autoral.

Esse é apenas um exemplo pedagógico. A matriz definitiva deve seguir as normas do sistema de ensino e a carga horária autorizada para a instituição.

Decisões que o mantenedor precisa simular

Antes de aprovar a estrutura, calcule:

  • número mínimo e máximo de estudantes por turma;
  • quantidade de professores necessária;
  • custo por itinerário;
  • impacto de horários simultâneos;
  • necessidade de laboratórios;
  • custo de materiais;
  • plano para transferências e mudanças de escolha;
  • possibilidade de continuidade caso a demanda diminua.

A escolha estudantil precisa ser verdadeira, mas também deve estar apoiada em regras transparentes.

9. Forme os professores para o trabalho interdisciplinar

O itinerário formativo exige mais do que conhecimento do componente curricular. O professor precisa planejar com profissionais de outras áreas, utilizar metodologias investigativas e avaliar produções complexas.

A formação continuada pode contemplar:

  • parâmetros nacionais dos IFAs;
  • planejamento por competências;
  • interdisciplinaridade;
  • aprendizagem baseada em projetos;
  • investigação científica;
  • resolução de problemas;
  • avaliação por rubricas;
  • documentação da aprendizagem;
  • orientação de projetos;
  • uso pedagógico de tecnologias;
  • inclusão e acessibilidade.

Também é necessário reservar tempo para o planejamento coletivo. Sem condições de trabalho, a interdisciplinaridade pode se reduzir a uma intenção registrada no documento.

10. Defina como os estudantes serão avaliados

A avaliação deve acompanhar tanto o domínio conceitual quanto a capacidade de utilizar os conhecimentos.

A escola pode combinar:

  • avaliações escritas;
  • portfólios;
  • relatórios;
  • apresentações;
  • produções digitais;
  • projetos;
  • seminários;
  • autoavaliação;
  • avaliação entre pares;
  • rubricas.

Uma rubrica para um projeto de intervenção pode considerar:

Critério O que observar
Conhecimento Uso correto e aprofundado dos conceitos
Investigação Qualidade da pergunta, das fontes e dos dados
Integração Articulação entre áreas do conhecimento
Proposta Viabilidade e fundamentação da solução
Comunicação Clareza e adequação ao público
Autonomia Participação e tomada de decisões
Reflexão Capacidade de avaliar limites e aprendizados

Os critérios precisam ser apresentados antes da realização da atividade. Dessa forma, o estudante entende o que deve desenvolver e o professor consegue oferecer devolutivas mais objetivas.

Exemplos de itinerários formativos

Exemplo 1: Saúde, Ambiente e Inovação

Áreas principais: Ciências da Natureza e Matemática.

Pergunta orientadora: como a ciência e os dados podem contribuir para melhorar a qualidade de vida da comunidade?

Possíveis unidades:

  • Saúde e qualidade de vida;
  • Ambiente e território;
  • Estatística aplicada;
  • Biotecnologia;
  • Comunicação científica;
  • Projeto de intervenção.

Produto final: diagnóstico de um problema local e proposta de intervenção fundamentada em dados.

O percurso pode investigar qualidade da água, alimentação, saneamento, arboviroses ou hábitos de saúde. Matemática contribui com estatística e análise de dados; Biologia, Química e Física sustentam a investigação científica.

Exemplo 2: Comunicação, Cultura e Sociedade Digital

Áreas principais: Linguagens e Ciências Humanas.

Pergunta orientadora: como as diferentes linguagens influenciam a percepção da realidade e a participação social?

Possíveis unidades:

  • Leitura crítica da mídia;
  • Narrativas e identidades;
  • Ética e cidadania digital;
  • Produção audiovisual;
  • Argumentação;
  • Projeto de comunicação.

Produto final: campanha, podcast, documentário ou exposição digital sobre um tema relevante para a comunidade.

Esse itinerário pode trabalhar desinformação, inteligência artificial, memória local, diversidade cultural ou consumo consciente.

Exemplo 3: Dados, Economia e Solução de Problemas

Áreas principais: Matemática e Ciências Humanas.

Pergunta orientadora: como os dados ajudam a compreender problemas econômicos e sociais?

Possíveis unidades:

  • Estatística e visualização;
  • Educação financeira;
  • Economia e sociedade;
  • Pesquisa de campo;
  • Modelagem de problemas;
  • Projeto orientado por dados.

Produto final: painel de indicadores e proposta de solução para um problema da escola, do bairro ou da cidade.

Exemplo 4: Cidades Sustentáveis

Áreas integradas: Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática e Linguagens.

Pergunta orientadora: como tornar o território mais inclusivo, sustentável e preparado para o futuro?

O percurso pode envolver mobilidade, energia, resíduos, acesso a serviços, comunicação pública e planejamento urbano. Os estudantes podem construir mapas, realizar pesquisas, analisar indicadores e apresentar propostas a representantes da comunidade.

Como orientar a escolha dos estudantes?

A escolha não deve acontecer apenas com o envio de um formulário.

Uma jornada mais qualificada pode envolver:

  1. Apresentação dos itinerários;
  2. Aula ou oficina experimental;
  3. Conversa com professores;
  4. Atividades de autoconhecimento;
  5. Diálogo com as famílias;
  6. Consulta aos materiais e projetos;
  7. Registro da escolha;
  8. Período de confirmação ou ajuste, conforme as regras da escola.

A comunicação deve explicar:

  • o que será estudado;
  • quais áreas serão aprofundadas;
  • como serão as aulas;
  • quais projetos serão desenvolvidos;
  • como ocorrerá a avaliação;
  • quais são os critérios para abertura de turma;
  • se haverá possibilidade de mudança;
  • como o percurso se relaciona com a formação acadêmica e cidadã.

Evite associar cada itinerário a uma profissão específica. O aluno que escolhe Ciências da Natureza não fica limitado à área da saúde, assim como aquele que escolhe Linguagens não precisa necessariamente seguir Comunicação ou Letras.

Como acompanhar a qualidade dos itinerários formativos?

A implementação não termina quando as turmas começam. A gestão precisa acompanhar indicadores pedagógicos e operacionais, como:

  • percentual de estudantes que recebeu a primeira opção;
  • procura por itinerário;
  • número de mudanças solicitadas;
  • frequência;
  • evasão;
  • satisfação dos estudantes;
  • percepção das famílias;
  • participação nos projetos;
  • evolução das aprendizagens;
  • qualidade dos produtos finais;
  • integração entre áreas;
  • horas de planejamento coletivo;
  • necessidade de formação docente;
  • custo por turma;
  • continuidade dos percursos.

Além dos números, realize observações de aula, analise portfólios e converse com professores e estudantes. Um itinerário pode apresentar alta satisfação e baixo aprofundamento acadêmico, ou bons projetos com uma operação insustentável.

A avaliação deve contemplar as duas dimensões.

Erros comuns na estruturação dos itinerários formativos

Transformar o itinerário em uma lista de disciplinas

O percurso precisa ter uma lógica de aprofundamento, e não apenas novos nomes na grade.

Escolher os temas sem ouvir os estudantes

A equipe conhece a capacidade da escola, mas os interesses dos jovens também precisam orientar a oferta.

Prometer opções que não podem ser sustentadas

A divulgação deve estar alinhada ao orçamento, ao quadro docente, aos espaços e ao número de matrículas.

Reduzir o itinerário a atividades práticas

A prática é fundamental, mas deve mobilizar conhecimentos, competências e habilidades de maneira aprofundada.

Abandonar a excelência acadêmica

Protagonismo não significa ausência de mediação docente. Os estudantes precisam de repertório, orientação, métodos e critérios claros.

Não planejar a progressão

As unidades curriculares precisam formar um percurso. Projetos desconectados não garantem aprofundamento.

Tratar Projeto de Vida como orientação profissional

O Projeto de Vida também envolve autoconhecimento, cidadania, relações, participação social, estudos e escolhas responsáveis.

Avaliar apenas o produto final

O processo de pesquisa, colaboração, revisão e tomada de decisão também deve ser acompanhado.

Checklist para gestores e mantenedores

Antes de iniciar a oferta, confirme se a escola:

  • analisou a legislação e as normas estaduais;
  • revisou o Projeto Político-Pedagógico;
  • ouviu estudantes e famílias;
  • definiu pelo menos duas opções aplicáveis à instituição;
  • mapeou professores, horários e infraestrutura;
  • estabeleceu áreas, competências e habilidades;
  • organizou a progressão das 600 horas;
  • integrou os itinerários à Formação Geral Básica;
  • estruturou o Projeto de Vida como estratégia curricular;
  • definiu critérios de escolha e abertura de turmas;
  • criou um plano para mudanças de percurso;
  • preparou materiais de comunicação;
  • formou os professores;
  • definiu instrumentos de avaliação;
  • estabeleceu indicadores de acompanhamento;
  • simulou os custos da oferta;
  • previu uma revisão após o primeiro ciclo.

Estruture um Ensino Médio conectado aos estudantes e à aprendizagem

Os itinerários formativos representam uma oportunidade para aproximar o currículo dos interesses dos jovens e criar experiências mais investigativas, interdisciplinares e conectadas à realidade.

Para que essa proposta alcance seu potencial, entretanto, é preciso transformar flexibilidade em consistência pedagógica. Isso exige materiais atualizados, formação docente, acompanhamento de resultados, tecnologia e apoio às decisões da gestão.

A Amplia apoia mais de 600 escolas em toda a jornada educacional com materiais didáticos alinhados à BNCC, plataforma digital, avaliações, formação continuada e consultoria pedagógica e de gestão. 

Assim, professores, coordenadores, diretores e mantenedores contam com uma estrutura integrada para fortalecer a aprendizagem e construir um Ensino Médio de excelência.

Fale com um consultor do Sistema de Ensino Amplia e conheça as soluções que podem apoiar a evolução da proposta pedagógica da sua escola.

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